Tipos de culpas.

Atualizado: 25 de Set de 2018

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No post anterior falamos sobre o Tipo 1 de culpa, hoje falaremos dos outros tipos. Segundo a Dra. Susan Krauss Whitbourne, Ph.D. , e professora emérita de ciências psicológicas e cerebrais da Universidade de Massachusetts, são eles:


Tipo 2: Culpa por desejos – algo que não fez mas deseja fazer

Você está pensando em cometer um ato no qual você se desvia do seu próprio código moral ou se envolve em comportamento desonesto, infiel ou ilegal, por curiosidade, por moda, falta de perspectiva, carência emocional, etc. Você pode mentalmente desejar alguém que não seja seu cônjuge ou parceiro de longa data. Pode desejar o cargo de um amigo, ganhar um dinheiro ilícito, etc. Estes são tipos de culpas difíceis de lidar. Ainda que você não tenha cometido o ato de traição, o simples fato de você estar desejando trair seu companheiro ou desejando o cargo do seu melhor amigo, ou dinheiro fácil, viola os seus próprios padrões morais, e eles provocam tanta culpa quanto os atos em si. Para ajudar a diminuir a culpa nesses casos é aconselhável aceitar que tem esses pensamentos ilícitos e comprometer-se a não permitir que definam o seu comportamento. Ao invés de negá-los, entrar em conflito interior, aceite-os e raciocine sobre as causas deles. O seu relacionamento está em crise e você tem negado? A sua realização profissional está abaixo das suas expectativas? os seus ganhos estão reduzidos? O que você pode fazer para melhorar o seu relacionamento e ter uma promoção para aumentar o seu faturamento? Faça novas escolhas conscientes e mude a sua vida para melhor. Nesse caso, a culpa é sua aliada, ela veio lhe dizer: pare, pense, reveja esse relacionamento, reveja a sua carreira, faça cursos, invista em você. Sonhe e realize seus sonhos.


Tipo 3: Culpa por algo que você acha que fez.

Você acha que foi a causa da mudança ou tragédia na vida de alguém. Você acha que é culpado pelo que aconteceu a alguém, mas na verdade, você só deu palpites ou teve pensamentos negativos referentes a essa pessoa e a vida dela deu uma reviravolta. Nesse caso se você acha que fez algo e isso é tão grave como se de fato tivesse feito, a culpa é a mesma. No fundo você "sabe" que está sendo regido pela emoção do momento, que não está usando a razão, mas é difícil se livrar completamente dessa crença. As vezes você pode estar distorcendo uma lembrança. Assim, antes de se culpar pelo que acontece com os outros, raciocine. Mesmo que tenha desejado algo de ruim para essa pessoa ou tenha dado um palpite, o que aconteceu foi escolha dela.

Esse tipo de culpa me fez lembrar um casal que atendi, cujo filho se mudou para os Estados Unidos. Depois que o filho foi embora para Os E.U.A., os pais ficaram se culpando. Ambos adoeceram. O pai ganhou uma diabetes alta e a mãe teve uma trombose. Eles encontraram várias razões para o seu filho ter deixado o Brasil, se culparam de uma forma assustadora, perderam até a vontade de viver, entraram em depressão profunda. Consideraram tudo para o rapaz ter partido, menos a própria vontade dele. Depois de algumas conversas consegui fazê-los refletir e compreender que não foi o fato de darem pouco dinheiro para o filho enquanto estava no Brasil ou não terem comprado um apartamento para ele, que fez com que ele decidisse ir embora para os Estados Unidos, mas sim, uma vontade imensa que ele tinha de fazer um mestrado e de trabalhar em um país de primeiro mundo.


Tipo 4: Culpa que você não fez o suficiente para ajudar alguém.

Talvez você tenha um parente muito doente. Você gasta horas do seu tempo livre para ajudar esse parente mas as vezes fica cansado e esgotado. O seu tempo é curto e acaba deixando as suas coisas de lado, não consegue cumprir com tudo, trabalhar, cuidar dos filhos e da pessoa doente. Esta quase ficando louco. As vezes se sente confuso. Quer cuidar do parente com amor, mas os compromissos da vida moderna e o cansaço faz você lamentar ter de fazer tudo sozinho. Nessa hora vem a culpa. Se sente culpado por se sentir esgotado e cansado. Talvez alguém esta passando por uma fase financeira difícil e você se propôs a ajudar, mas com o passar dos meses não consegue sustentar essa ajuda por muito mais tempo. Novamente a culpa aparece. Se sente um verme. Você está passando por um processo que os psicólogos americanos chamam de "fadiga da compaixão", essa sensação de cansaço extremo e esgotamento. Apesar de você chegar no seu limite tem a sensação que não fez nada e que deveria ter feito muito mais. Suas energias são drenadas. Você pode decidir continuar a ajudar todo mundo, mas não o faça por se sentir culpado, faça porque deseja fazer. Lembre-se: você é um ser humano.


Tipo 5: Culpa do sobrevivente

Você pode se sentir culpado por ter sobrevivido a perdas, desastres, tragédias. Port er superado a pobreza, enquanto seu irmão ou irmã não fizeram o mesmo. Enquanto você lutou, estudou, trabalhou, eles se perderam nas drogas ou na bebida. Você pode ter sobrevivido a um desastre e entes queridos não. A culpa do sobrevivente ou do bem sucedido é mais comum do que se pensa. Não faz muito tempo atendi um jovem engenheiro que conseguiu um estágio maravilhoso, com um salário espetacular. Mas ele não estava feliz, estava em profunda depressão pois com 24 anos estava ganhando o dobro do seu pai. Se sentiu mau por isso. Estava com comportamentos autodestrutivos porque seu pai não teve as mesmas chances que ele. Claro que o seu pai desejava que ele tivesse muito sucesso, mas também ficou chateado ao saber do salário do filho. Conversei muito com ele e expliquei que o seu fracasso não ajudaria o seu pai em absolutamente nada e que o pai estava chateado com ele mesmo e não com as suas conquistas. O pai tinha verdadeiro orgulho do filho.

Não há dúvida de que a culpa é uma emoção complexa, mas precisamos mantê-la dentro de limites administráveis. A culpa também pode nos ajudar a compreender quando erramos, no entanto não podemos deixar que ela revele o pior de nós.

Forte Abraço,

Tania Queiroz



Referências:

Susan Krauss Whitbourne, Ph.D. Psicologia Anormal: Perspetivas Clínicas sobre Transtornos Psicológicos, 2012. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/fulfillment-any-age/201208/the-definitive-guide-guilt. Consultado em 10/06/2018.

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